A atitude do médico não especialista em Dermatologia deve ser marcada pelo interesse, empatia, prudência e espírito de colaboração. As múltiplas matizes e particularidades evolutivas da doença, as expressões várias que assume em diversas áreas corporais, as variadas formas como a doença reage a cada fármaco, as múltiplas comorbilidades sistémicas e a difícil prescrição dermatológica, assente em aspetos de “sensibilidade e olho clínico” aconselham na generalidade dos casos a buscar um apoio especializado; tal como o diagnóstico de psoríase nas franjas extremas da vida, como a infância ou a senescência; tal como a suspeita ou reconhecimento do atingimento das unhas, couro cabeludo, grandes pregas, da face ou dos genitais; tal como a suspeita ou o conhecimento de comorbilidades sistémicas, de artrite, ou de forte impacto psicossocial… Todas estas condicionantes deverão suscitar a referenciação para dermatologista, o qual deverá elaborar estratégia terapêutica, vigilância e seguimento. O farmacêutico deve assistir o doente na prescrição e dispensa dos medicamentos, devendo ser diligente a contactar o médico no caso (frequente) de indisponibilidade de fármacos. Deve, finalmente, agir com prudência e recato na interação com o psoriásico, uma vez que muitos doentes se sentem constrangidos e estigmatizados pela doença, dispensando ser expostos, na sua doença, ao olhar curioso dos clientes da farmácia. Continuam a existir perguntas sobre a contagiosidade da doença, do seu efeito na gravidez… Devem estas questões ser colocadas ou referenciadas para o dermatologista no quadro de uma rede de apoio que inclui igualmente a família e o médico de família, especialista em Medicina Geral e Familiar e, em alguns casos, outros como os reumatologistas, internistas, endocrinologistas, cardiologistas… Porque “se conhecer a doença é importante… Também o é conhecer o doente que a tem”.