Existem quatro grandes problemas associados à diabetes: pé diabético, nefropatia diabética, hipertensão arterial e retinopatia diabética. Pé diabético As pessoas com diabetes têm um risco acrescido de desenvolverem problemas nos pés. A dor pode passar despercebida porque os níveis elevados de açúcar no sangue danificam os nervos. Assim, todos os diabéticos devem fazer uma avaliação anual dos pés com o seu médico/enfermeiro e devem ter alguns cuidados especiais: - Examinar os pés todos os dias e verificar se a cor muda, se os pés estão inchados, com feridas ou algum tipo de lesões.- Evitar sacos de água quente, almofadas elétricas e água quente diretamente nos pés. Menor sensibilidade nos seus pés significa que se pode queimar sem sentir dor.- Lavar os pés todos os dias com água tépida, lembre-se que a sua sensibilidade pode estar diminuída, evite queimaduras!- Utilizar gel ou sabonete pH neutro- Secar bem os pés, passando a toalha entre os dedos- Usar loção hidratante nos pés, mas não entre os dedos- Limar as unhas dos pés usando uma lima preferencialmente de cartão- Usar sempre meias, que não devem ter costuras nem elásticos e devem ser de algodão Nefropatia diabética O nefrónio é a unidade funcional do rim, existem milhões de nefrónios e cada um trabalha na filtração do sangue e na formação da urina. Quando, ao longo de anos, as artérias são sujeitas e níveis de glicemia elevados, elas começam a ficar danificadas. O primeiro sinal da nefropatia é a existência de pequenas quantidades de uma proteína, chamada albumina, na urina. A presença desta proteína significa que, devido às lesões nas suas paredes, as artérias não conseguem impedir a saída da albumina, por isso, quanto maior a quantidade de albumina na urina, mais grave é o estado da nefropatia. Como todas as complicações da diabetes, a nefropatia diabética pode e deve ser prevenida controlando os fatores de risco, mantendo o doseamento da microalbuminúria com um valor inferior a 30 mg na urina de 24 horas. Em situações mais graves, a nefropatia pode culminar numa insuficiência renal, isto é, o rim deixa de ser capaz de realizar a sua função de purificação e é necessário recorrer à hemodiálise para que o sangue seja purificado. O desenvolvimento de nefropatia diabética está sobretudo associado a fatores de risco específicos em certas pessoas com diabetes. A incidência desta complicação é maior quanto maior for a prevalência de fatores de risco: - Hipertensão arterial- Hábitos tabágicos- Etnia (com maior propensão em hispânicos, afro-americanos e asiáticos, por exemplo)- Fatores genéticos- Mau controlo glicémico Hipertensão arterial A hipertensão arterial e a diabetes são doenças inter-relacionadas que, se não tratadas, aumentam o risco de doenças cardiovasculares (enfartes do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e doença dos membros inferiores). A obesidade e a inatividade física, quando associadas à resistência insulínica, correlacionam-se com a elevação da pressão arterial. Uma pessoa com diabetes deve avaliar a pressão arterial 3 em 3 meses, quando controlada, ou uma a duas vezes por semana, quando não controlada. O objetivo com tratamento com anti-hipertensores é reduzir a tensão arterial para valores inferiores a 130/80 mm Hg. A perda de peso, redução de sal, atividade física regular e o abandono de hábitos tabágicos melhoram os níveis de tensão arterial. Retinopatia diabética A retinopatia diabética é uma manifestação oftalmológica da diabetes mellitus e uma das principais causas de perda de visão a nível mundial. Nesta doença não há habitualmente alterações da visão. Pode, portanto, evoluir para formas bastante avançadas sem provocar qualquer sintoma. Por este motivo, o rastreio de retinopatia diabética deve ser realizado imediatamente após o diagnóstico da diabetes tipo 2 e repetido anualmente. Os sintomas dependem da zona lesada: na zona central, visão turva ou distorcida; na zona periférica, numa fase inicial, não causa sintomas, numa fase tardia pode causar moscas volantes ou perda de visão súbita. A frequência da retinopatia depende dos anos de duração da diabetes. Após 20 anos de evolução, mais de 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e mais de 60% das pessoas com diabetes tipo 2, desenvolvem retinopatia diabética. O mau controlo metabólico (glicemia e pressão arterial) constitui também um fator de risco para o aparecimento da retinopatia.